Avião de prefeito faz manobra perigosa em obra da Rota Bioceânica e caso é investigado
Avião ligado a prefeito realiza manobra arriscada em obra da Rota Bioceânica, colocando trabalhadores em risco. Caso é investigado pela polícia.
Avião ligado a prefeito realiza manobra arriscada em obra da Rota Bioceânica
Um voo de alto risco registrado em vídeos que circulam nas redes sociais colocou autoridades em alerta em Mato Grosso do Sul. A aeronave envolvida, um monomotor de pequeno porte, foi flagrada realizando manobras perigosas nas proximidades da ponte internacional da Rota Bioceânica, em construção sobre o Rio Paraguai, na região de Porto Murtinho.
De acordo com dados do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), da Agência Nacional de Aviação Civil, a aeronave de prefixo PT-OFE pertence ao prefeito da cidade, Nelson Cintra Ribeiro. O modelo é um Beech Aircraft V35B, fabricado em 1974, com situação regular e certificado de aeronavegabilidade válido até março de 2027.
Vídeos mostram tensão durante o voo
As imagens mostram o avião voando em baixa altitude e extremamente próximo da estrutura da ponte, que ainda está em fase final de construção. Em um dos registros, feito de dentro da aeronave, é possível ouvir vozes femininas e uma criança no momento da aproximação. Em determinado trecho, uma mulher tenta tranquilizar a criança dizendo: “Papai sabe, calma”.
Outro vídeo, gravado por pessoas que estavam no local da obra, mostra o avião passando muito próximo à ponte, gerando a impressão de que a aeronave teria atravessado por baixo da estrutura.
Apesar disso, integrantes do consórcio responsável pela obra informaram que não há confirmação oficial de que o avião tenha passado sob a ponte, mas relataram que o piloto realizou ao menos duas arremetidas.
Manobra colocou trabalhadores em risco
O episódio ocorreu enquanto cerca de 78 trabalhadores atuavam na construção da ponte, o que aumenta a gravidade da situação. Responsáveis técnicos classificaram a manobra como imprudente e destacaram o risco direto à vida dos operários e à integridade da estrutura.
A obra da ponte sobre o Rio Paraguai é considerada estratégica para a integração logística entre Brasil e Paraguai, conectando o Centro-Oeste ao Oceano Pacífico. Atualmente, a construção está em fase final, com intensa movimentação de equipes e equipamentos.
Conduta pode ser considerada crime
De acordo com normas da aviação brasileira, voos rasantes próximos a estruturas ou tentativas de passar sob pontes são proibidos, salvo em condições específicas e com autorização formal.
Especialistas apontam que esse tipo de manobra pode ser enquadrado como atuação temerária ou atentado à segurança de voo, já que envolve riscos como colisões, falhas mecânicas em baixa altitude e falta de margem para correção de erros.
Caso seja confirmada irregularidade, o responsável pode responder criminalmente, com penas que podem chegar a até cinco anos de prisão.
Investigação está em andamento
O caso está sendo investigado pelo Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado, que analisa as circunstâncias do voo.
Segundo a delegada responsável, a apuração ocorre com rigor técnico diante da possibilidade de que a manobra tenha colocado em risco a segurança do voo, dos passageiros, dos trabalhadores da obra e da coletividade.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre quem pilotava a aeronave no momento do ocorrido, nem sobre a identidade dos demais ocupantes.
Prefeito não se manifestou
A reportagem tentou contato com o prefeito Nelson Cintra Ribeiro, proprietário da aeronave, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.


